segunda-feira, 26 de maio de 2014

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA - Na ABAM tem

A ABAM – Associação das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares foi fundada em 1994, pela baiana Clarice dos Anjos, em função de um drama familiar. Sua mãe, também baiana de ofício que contribuía há longa data com o INSS por meio de uma instituição “parceira das baianas”, quando caiu doente e precisou de assistência descobriu que a mesma não recolhia junto ao órgão, vendo-se descoberta. Indignada, Clarice criou a organização, que passou a funcionar na laje de sua casa, em Itapoã, com 20 associadas. Posteriormente, foram agregados os vendedores de mingau, cocada, beiju e até as moquequeiras do Recôncavo, que, fieis à mais remota tradição, ainda mercam seus quitutes equilibrados na cabeça.

Unidas em associação, as baianas iniciaram sua luta por melhores condições de vida e trabalho e consideram o Decreto Municipal 12.175/98, que define direitos e obrigações das baianas, sua primeira conquista, pontapé inicial para o reconhecimento que vieram a obter junto ao IPHAN em 2005, do ofício das baianas como Patrimônio Imaterial Nacional.

A expansão da ABAM foi um processo natural, hoje existem núcleos em outros estados e diversos municípios baianos: Alagoas, Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Caetité, Camaçari, Dias D’Ávila (em formação), Itaparica, Lauro de Freitas, Maragogipe, Santo Amaro, Santo Antônio de Jesus, Saubara, Vera Cruz e Vitória da Conquista; filiais em Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo, e, em fase de instalação, na Paraíba e Pernambuco.

Apesar do crescimento (em torno de 4 mil membros atualmente), muitas baianas não percebem o sentido de se unir para uma atuação conjunta, como também tem quem ache que não precisa pelo patamar de ganho que já atingiu, sem considerar associar-se em benefício das demais. A taxa de contribuição é de apenas R$8,00 (oito reais), o equivalente a um acarajé por mês, mesmo assim a inadimplência é grande: somente cerca de 10% das associadas contribuem regularmente.

Segundo Rita Santos, a atual presidente, o entendimento sobre a ABAM é equivocado, a maioria das baianas acha que o governo dá dinheiro à instituição, para suprir as baianas de tabuleiros, indumentária e outros itens. No entanto, a diretoria (sete pessoas) é voluntária, e toda a arrecadação paga aluguel, taxas e despesas diversas. Promover a adesão de associadas, juntamente com a regularização da situação das baianas junto à prefeitura, que atualmente disputam ponto com diversos ambulantes, é uma das suas ações prioritárias.

Por meio de parcerias e participação em editais, a ABAM tem promovido constantes reciclagens para as baianas, não para ensinar a fazer acarajé, mas segurança alimentar, com ênfase no reforço à autoestima, conhecimento sobre a Lei Maria da Penha, estímulo aos estudos, luta por políticas públicas e participação em espaços de discussão por melhorias em seus bairros.

Atualmente a ABAM registra a participação de baianas em conselho de prefeitura-bairro, em Salvador, sendo a sua presidente membro do Conselho Nacional de Políticas Públicas – CNPC (GT de Patrimônio Imaterial), do Conselho Municipal das Comunidades Negras, dentre outras atuações.

Longe ainda de constituir uma força conjunta e coesa, as baianas já são reconhecidas por seu potencial, inclusive como mercado. Hoje, na ABAM, veem-se assediadas por vendedores de consórcios de carro e planos de saúde, bancos oferecendo facilidades para abertura de contas, e até faculdades, divulgando seus serviços.

III Encontro Nacional das Baianas de Acarajé.
Foto: Elói Corrêa/SECOM

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